Romaria
das Águas e da Terra deve reunir 5 mil em Januária
Cerca de
5 mil pessoas devem participar, amanhã, 18, em
Januária (MG), da 14ª Romaria das Águas e da Terra
de Minas Gerais. A Romaria tem como tema “Terra e
água partilhada, herança de Deus resgatada” e o lema
“Nas terras e águas dos Gerais, a memória da
resistência de nossos ancestrais”.
A 14ª. Romaria é organizada pela Comissão Pastoral
da Terra (CPT), Cáritas Diocesana de Januária,
Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Mitra
Diocesana, Irmãs Paroquiais de São Francisco e da
Divina Providência, Paróquia Sagrada Família e Nossa
Senhora das Dores, ambas do município de Januária.
As atividades começam com uma caminhada saindo, às
8h, de frente do Estádio Municipal. A Romaria
defende as comunidades tradicionais, que enfrentam
os grandes projetos de grupos empresariais e
latifundiários. Defenderá ainda a revitalização
popular do Rio São Francisco.
O município de Januária e sua região são marcados
pela presença de várias comunidades tradicionais,
como os indígenas Xakriabá; os quilombolas;
pescadores; vazanteiros; ribeirinhos; geraizeiros e
outras, que lutam para garantir e preservar seus
territórios.
“A resistência dessas comunidades é um forte exemplo
de profecia e poesia. Esta resistência denuncia a
privatização das águas, do agronegócio, da violência
do capital financeiro que adequa o ser humano e a
natureza ao fator econômico. E anuncia a
revitalização do Rio São Francisco, que precisa ser
popular e levar em consideração a vida do rio e do
seu povo; a convivência com o semiárido e a
descoberta das riquezas do sertão”, explicam Lívia
Bacelete e Neusa Francisca do Nascimento.
Uma Semana Missionária, que começou no dia 11,
ajudou na preparação da Romaria. Nestes dias, os
missionários visitaram famílias na zona rural e
urbana da região, refletindo e discutindo os temas
da Romaria e hoje os romeiros começam a chegar a
Januária para participar de uma noite cultural com
apresentações da cultura popular das comunidades
tradicionais.
Em Minas Gerais, a Romaria das Águas e da Terra
acontece desde 1996. Neste ano, durante o evento,
serão recolhidas assinaturas para Plebiscito pelo
Limite da Propriedade da Terra.
Serão recolhidas assinaturas também para a Campanha
Opará, uma petição para o Supremo Tribunal Federal
organizada pelos 33 povos indígenas do Nordeste
impactados pela transposição das águas do Rio São
Francisco.
fonte: CNBB