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Vida sacerdotal autêntica faz sucesso em
documentário
Leonardo Meira
Da Redação, com religionenlibertad.com
Documentário 'La Útlima Cima'',
sucesso de bilheteria, conhecido
como ''filme que fala bem dos
padres''
Um novo recorde: mais de 100 mil
espanhóis já assistiram ao filme
La Última Cima
[O Último Cume], que se torna a
sexta maior bilheteria no país.
O documentário já é um dos mais
vistos da história da Espanha e se
tornou conhecido como "o filme que
fala bem dos padres", pois narra a
vida do sacerdote Pablo Domínguez,
falecido há pouco mais de um ano
devido a um acidente enquanto
escalava uma montanha.
"Pablo era conhecido e querido por
um número incalculável de pessoas.
La Última Cima mostra a marca
profunda que pode deixar um bom
sacerdote nas pessoas com as quais
cruza, ao mesmo tempo em que provoca
no espectador a pergunta
comprometedora: 'Também eu poderia
viver assim?'", assinala a sinopse
disponível no site oficial do filme,
que já começou a despertar vocações
sacerdotais entre os espectadores.
A produção é de Infinito+1 e a
direção de Juan Manuel Cotelo. Em
entrevista à ACI Prensa, Cotelo
reflete sobre as razões do grande
sucesso do filme e confirma que há
negociações para que a produção
chegue à América Latina e Estados
Unidos.
Para o diretor, a esmagadora
resposta dos espectadores – tanto em
número quanto em histórias de
conversão – "deve-se ao magnetismo
que tem Deus sobre qualquer pessoa".
"Se o padre Pablo atrai, é porque o
amor de sua vida também atrai. O
protagonista da vida de Pablo é Deus
e, na película, também. Não há,
entre todos os atores e atrizes mais
famosos do mundo, um protagonista
mais atrativo e atraente que Deus",
indica.
A seguir, confira a
entrevista na íntegra:
ACI Prensa: Como
nasceu a idéia de filmar “La Última
Cima”?
Juan Manuel Cotelo:
Surgiu contra a minha vontade,
inicialmente. Primeiro, resisti em
conhecer a Pablo, mas o conheci pela
insistência de um amigo. Encontrei
nele um sacerdote simpático,
brincalhão, profundo, carinhoso e
próximo, que imediatamente pôs-se em
meu auxílio. Duas semanas depois,
soube que havia falecido e descobri
vaias coincidências entre sua vida e
a minha: nasceu três dias antes que
eu, no mesmo bairro, e
compartilhamos do amor pelas
montanhas. Penso que também nos unia
o desejo de apresentar o amor de
Deus aos homens de modo amável,
atrativo, simples, simpático,
otimista, para todos os públicos,
rompendo barreiras. Porque não há
outro modo de apresentar o
Evangelho. E, pouco a pouco, segundo
averiguei mais coisas sobre ele, me
dei conta de que sua vida merecia
ser conhecida, porque era
estimulante para qualquer um.
ACI Prensa: O que
há na vida de Pablo Domínguez que
chamou tanto a atenção do público?
Cotelo: A eficácia
maravilhosa que pode ter um cristçao
coerente. Sobretudo, destaca sua
alegria contagiante, e seu
enamoramento contagiante por Deus e
pelas pessoas. Pablo é um modelo
próximo, imitável, de carne e osso.
É alguém que demonstra com ações que
a santidade, hoje, é possível para
todos. Que não é preciso realizar
grandes gestos para que a tua vida
seja plena para ti e para os que te
rodeiam. Tudo isso chega ao
espectador, que sai do cinema muito
comovido, não somente pelo que
conheceu acerca da vida de Pablo,
mas pelo que descobre que pode ser
também sua própria vida a partir
daquele momento. Somente assim se
explica que haja tantos espectadores
que experimentam um processo de
conversão pessoal, após ver o filme.
ACI Prensa:
O filme é um sucesso de
bilheteria. A que se deve isto?
Cotelo: Isto se
deve a vários fatores. Em primeiro
lugar, à personalidade de Pablo, que
é tão atrativa. Todos gostam de
conhecer e de se aproximar de boas
pessoas, e Pablo é uma delas. Por
isso, o filme sobre sua vida atrai
tanta gente, do mesmo modo que suas
Missas estavam repletas de pessoas
que queriam escutá-lo e vê-lo
celebrar. Em segundo lugar, deve-se
a que os espectadores, quando saem
da sala, recomendam o filme a outras
pessoas com entusiasmo. Não existe
melhor publicidade que uma pessoa
viva e próxima que recomende algo. O
sucesso não se deveu à publicidade
"inerte", nem a um plano
estratégico, mas à promoção viva que
fizeram os próprios espectadores, em
pessoa ou através da Internet, com
seus contatos, conhecidos, amigos e
familiares. E em terceiro lugar
diria que, sobretudo, deve-se ao
magnetismo que Deus tem sobre
qualquer pessoa. Se o padre Pablo
atrai, é porque o amor de sua vida
também atrai. O protagonista da vida
de Pablo é Deus e, na película,
também. Não há, entre todos os
atores e atrizes mais famosos do
mundo, um protagonista mais atrativo
e atraente que Deus.
ACI Prensa: Qual é
a importância de difundir uma
autêntica vida sacerdotal,
especialmente na conjuntura que a
Igreja vive hoje?
Cotelo: A situação
que vive hoje a Igreja é idêntica à
que viveram os primeiros cristãos.
Há um desejo insaciável de Deus, em
todas as pessoas, e muitos buscam
satisfazê-lo com sucedâneos que,
antes ou depois, nos deixam de novo
com apetite. Está cheio de
vendedores que atuam sem complexos
prometendo a felicidade com produtos
falsos: a saúde, o dinheiro, o êxito
profissional, as viagens, a diversão
ou um tamanho maior de sutiã. Os
sacerdotes, hoje e sempre, podem
facilitar às pessoas o acesso ao
único que pode encher o coração
humano: o amor incondicional de Deus
a cada pessoa, seja como for, viva
como viva. A autêntica vida
sacerdotal é a missão mais
transcendente que uma pessoa pode
ter encomendada na vida: levar até o
coração das pessoas o amor e a paz
de Deus, a única garantia de
felicidade completa que existe. Essa
missão não caducará jamais, nem
deverá ser reinventada cada vez que
as circunstâncias sociais variem.
Por isso, não acredito que deverei
perder muito tempo analisando a
"conjuntura social", mas será
necessário por mãos à obra, dando
amor a quem tenhamos junto de nós,
como fez Pablo, sem maiores
argumentos.
ACI Prensa: Quais
foram os principais problemas que
encontraram para filmar o filme?
Cotelo: Mentiria se
falasse de problemas externos,
porque não houve. Nenhum. O único
problema real foi minha própria
reticência a pôr-me a trabalhar
neste filme. A partir de então, tudo
fluiu com facilidade. Não existe dia
em que não aprendamos, desfrutemos e
nos emocionemos com tantas coisas
preciosas que nos acontecem, sem
buscá-las. Este filme é um grande
presente para nós e para muitas
pessoas.
ACI Prensa: O Bispo
de San Sebastián (na Espanha), Dom
José Ignacio Munilla, manifestou em
uma entrevista que o filme teve o
atrevimento de quebrar mitos e
moldes. Você acredita que é assim?
Cotelo: Quebramos
mitos e moldes criados por
mentalidades estreitas, mas sem
nenhum atrevimento de nossa parte.
Simplesmente o fizemos, sem que
houvesse nisso um ato de valentia.
Quebramos o mito que um documentário
tem que ser necessariamente tedioso,
ou dirigido a um público especial.
Quebrado o molde que pretende
enquadrar todos os sacerdotes como
pessoas retrógradas, antipáticas,
pederastas… Mas, na realidade, quem
quebra o molde é quem pretende
reduzir a realidade a tópicos. Nós
não inventamos nada novo, mas
contamos a verdade: o mundo está
cheio de gente boa, maravilhosa,
exemplar, em quem os meios de
comunicação não se fixam. Entre
eles, muitos são sacerdotes. Basta
sair à rua com os olhos abertos,
livres de preconceitos, para
encontrar tantas histórias bonitas
que ninguém conta. Um mero exemplo:
uma pessoa beija a outra. Isso
deveria ser notícia. E, ao invés, a
notícia que costumamos ver é que
alguém agrediu o outro.
ACI Prensa: Vocês
receberam notícias de espectadores
jovens que graças ao filme decidiram
optar por uma vocação sacerdotal.
Você poderia nos dar alguns
detalhes?
Cotelo: Pertence ao
âmbito da intimidade dessas pessoas
e, portanto, não devo torná-lo
público, embora elas tenham tido a
generosidade de compartilhá-lo
conosco. Simplesmente direi que,
diariamente, chegam-nos muitas
mensagens, cartas escritas à mão,
chamadas telefônicas, de pessoas que
compartilham conosco de modo íntimo
que o filme os motivou a viver uma
vida mais generosa com Deus e com as
pessoas que têm perto. É muito
emocionante, precioso. Passamos o
dia dando graças a Deus por se
servir do nosso trabalho para
despertar tantas pessoas
adormecidas.
ACI Prensa: Muitas
pessoas perguntam se será possível
que o filme seja visto na América
Latina. Vocês pensam nisso?
Cotelo: É claro que
sim. Agora começaremos a fechar
acordos de distribuição com países
de todo o mundo, de onde nos chegam
as solicitações. Tudo vai muito
rápido, temos que organizá-lo,
contando com a ajuda de pessoas em
cada país, que colaborem para
divulgar este filme. Começaremos na
Colômbia, México, Chile, Argentina,
República Dominicana, Estados
Unidos. Em todos esses países, já
começamos a trabalhar.
ACI Prensa: Logo
depois deste êxito, vocês têm algum
outro filme em projeto?
Cotelo: Sim, temos
vários projetos preciosos, que foram
freados quando Pablo cruzou por
nossas vidas. Agora os retomaremos
todos, um por um. O objetivo não é
produzir muitos filmes, mas sim que
cada um deles possa tocar o coração
das pessoas, convidando-as à
reflexão, ao descobrimento da beleza
de Deus, das pessoas e do mundo.
Isso exige trabalhar com cuidado,
sem pressa, dando prioridade mais à
criatividade que à quantidade.
Fonte: Canção Nova
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