|
Tem início hoje na capital de Gana, Acra, a XV Assembleia
Plenária do Simpósio das Conferências Episcopais da África e
Madagascar (Sceam/Secam), que coincide com os 40 anos de atividade
dessa organização.
Até domingo, 1o de agosto, 200 delegados, entre cardeais, bispos,
religiosos e religiosas e leigos se reúnem para debater o tema:
"Secam, 40 anos depois: autonomia e perspectiva para a Igreja na
África".
O Núncio Apostólico em Gana, Dom Léon Kalenga, lerá uma mensagem do
Santo Padre na abertura do evento, que será inaugurado pelo
Arcebispo de Acra, Dom Gabriel Charles Palmer Buckle. Em entrevista
à Rádio Vaticano, ele falou sobre o tema da autossuficiência:
Dom Buckle:- A autossuficiência quer dizer que temos a
oferecer: recebemos e agora temos que contribuir, temos vocações em
abundância. Devemos, então, também nós estender a mão à missão da
Igreja presente em todo o mundo. E não somente isso, porque podemos
oferecer também a nossa espiritualidade: todos sabem que os
africanos são muito religiosos. Essa nossa religiosidade,
"purificada" pelo Cristianismo, enriquece a Igreja Católica.
Para Dom Buckle, a África certamente não pode isolar-se do resto do
mundo. Durante 500 anos, o continente ofereceu matérias-primas.
Agora, porém, não se reduz a isso, à mão-de-obra, mas vai além,
tendo pessoas muito bem preparadas, inclusive dentro da Igreja.
"A primeira coisa, portanto, é que a África já está contribuindo,
mas deveria estar consciente do fato de que tem muito a oferecer.
Segundo ponto: a África quer ser tratada como um continente maduro e
que pode se sentar junto a todos os outros continentes a uma mesa,
oferecendo a nossa contribuição para o desenvolvimento do mundo."
RV:- Quais são os desafios pastorais mais significativos para
a Igreja africana, para os episcopados no futuro?
Dom Buckle:- Devemos construir seminários, devemos construir
escolas e universidades católicas para a formação desses jovens que
têm vocações ao sacerdócio e à vida religiosa, mas também têm
vocações à vida política, social e cultural. Temos que tentar formar
realmente esses jovens, para que possam oferecer sua contribuição ao
desenvolvimento da África. O segundo desafio é representado
certamente pela reconciliação: existem regiões em que não há paz e,
portanto, devemos fazer todo o possível para restabelecê-la: devemos
formar à reconciliação, à paz e à justiça."
A Rádio Vaticano também participa da Plenária do Secam com dois
enviados: Pe. Joseph Ballong, responsável pelo Programa Francês
África, e Dulce Araújo, redatora do Programa Português África.
Fonte:Radio Vaticano
|