Deus investe em nós para nos ajudar a sermos “outros Cristos”

De fato, quanto mais se revela a grandeza divina, mais a alma tem consciência de suas misérias interiores. Isso explica por que muitos santos não queriam “seus” milagres divulgados e atribuíam sua realização prontamente à intervenção de Deus. São Josemaría Escrivá, ao ouvir várias vezes o (agora também Santo) Papa Paulo VI, repetir numa audiência: “O senhor é um santo!”. Saiu extremamente cabisbaixo e sério, algo inusual para ele. Questionado sobre motivo de tal abatimento, o padre respondeu: “Cada vez que o santo padre me chamava de santo, vinha à minha mente todos os meus pecados. E como sou pecador!”. Baseado no que estamos vendo aqui, podemos afirmar que se tratava da percepção do santo sobre si mesmo e de sua miséria enquanto ser humano, nunca de pecados mortais ou, nem mesmo, de pecados veniais com plena advertência.

É, pois, na sétima morada, que fica claro a necessidade do caminho espiritual e o seu objetivo: Deus investe em nós para nos ajudar a sermos “outros Cristos”. Verdadeiros membros espirituais desse corpo místico, que é a Igreja em perfeita união com a cabeça. A extrema paz interior também ajuda a servir a Deus nas coisas possíveis, aquilo que está ao nosso alcance imediato, e não nas coisas impossíveis que acreditamos ser úteis para o projeto de Deus.

Isso mostra como os santos realizaram obras extraordinárias quando, na aparência, realizavam coisas absolutamente comuns: Santa Teresinha era somente uma irmãzinha de mais um Carmelo; São João Bosco não fazia mais que se dedicar aos cuidados básicos de jovens marginalizados; Santa Teresa de Calcutá nada fazia além de socorrer os enfermos e moribundos etc. Humildade e serviço, dobrando-se à vontade de Deus no imediato e no cotidiano, oferecendo sacrifícios interiores e exteriores na vida real. Tudo isso sem fogos de artifício nem caras contorcidas de dor.

Aqueles que alcançam as sétimas moradas fazem a santidade parecer trivial e fácil, como aquele que, após se encontrar no alto da montanha há algum tempo, não revela em seu rosto a dificuldade da escalada.

No próximo artigo, veremos os últimos graus de oração que completam e complementam esse percurso espiritual: o oitavo e o nono grau de oração.
Fonte:Canção Nova